quarta-feira, 15 de novembro de 2017

terça-feira, 14 de novembro de 2017

voragem



voragem

não sou casta
e sei o quanto custa
me jogar as quantas
quando vejo tantas
que não tem coragem
presa a covardia

eu sou voragem
dentro da noite veloz
na vertigem do dia

Federika Lispector

domingo, 12 de novembro de 2017

jura secreta 18



Jura secreta 18

te beijo vestida de nua
somente a lua te espelha
nesta lagoa vermelha
Porto Alegre cais do porto
barcos/navios no teu corpo
os peixes brincam nu teu cio
nos teus seios minhas mãos
as rendas finas que vestias
sobre os teus pelos ficção

todos os laços dos tecidos
aquela cor do teu vestido
a pura pele agora é roupa
o sabor da tua língua
o batom da tua boca
tudo antes só promessa
agora hóstia entre meus dentes

e para espanto dos decentes
te levo ao ato consagrado
se te despir for só pecado
é só pecar que me interessa

Artur  Gomes

bolero blue


bolero blue

beber desse conhac em tua boca
para matar a febre nas entranhas
entredentes
indecente é uma forma que te como
bebo ou calo
e se não falo quando quero
na balada ou no bolero
não é por falta de desejo

é que a fome desse beijo
furta outra qualquer palavra presa
como caça indefesa
dentro da carne que não sai 

Artur Gomes 

sábado, 11 de novembro de 2017

anti/bíblica




o movimento dos barcos
dia desses ainda me leva
mar a dentro
o sal no centro da gravidade
que se move ainda em mim
quando enlouqueço
o endereço do sentido
ainda não tenho
e ando prenho de saudade
do Pontal que um dia foi

Federico Baudelaire


anti/bíblica

não vou guardar os sábados
em nome de Jesus
e me deixar cruxificada numa cruz
que simboliza dor
aos sábados eu pratico a Arte
de fazer Amor

Federika Lispetor

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

jura secreta 130



jura secreta 130
amo ainda mais tua fotografia
em tudo o que penso carne
em tudo o que penso pele
em tudo o que penso osso
partes do corpo humano
que ainda vou desvendar
como uma jura secreta
ou liturgia sagrada
hora da hóstia no altar
como um amor Almodovar
peça de Plínio Marcos
cena de Antônio Bivar
ou um balé Isadora
dança no meu estômago
pra minha fome de arte
enquanto a palavra parte
para em teus seios morar

artur  gomes

juras secretas



Jura secreta 104
para Celso Borges e Lilia Diniz

faz escuro mas eu canto
Thiago de Mello

eu sou quem morre e não deita
Salgado Maranhão

pros meus afins está difícil
por isso esse novo canto
se o  dia  não amanhecer

Querubins e Serafins
o que será de Parintins
Bumba-Meu-Boi
o que será ?

Maranhão meu São Luiz
o que será de Imperatriz
do povo/boi o que será
do povo/boi o que vai ser?




Jura secreta 75

é abissal
o cheiro de esperma e susto
não fosse o ópio
nem cem anos de solidão
provocaria tal efeito
o peito estraçalhado
por dentes enigmáticos

Monalisa
sangra na Elegia do agora
cada deusa tem seu templo
cada mulher tem sua hora

Artur Gomes