quinta-feira, 31 de agosto de 2017

juras secretas


Jura secreta 84

diante o mar
o que pensar
a não ser o infinito
o grito das baleias
o silêncio dos peixes
a nossa fome disseminada
em cada um deles
os corais os abissais os ancestrais
os minerais os barcos atracados no cais
e o quanto somos finitos

diante o mar
o que pensar
a não ser como ela mexe comigo
aqui agora beliscando meu umbigo
em qualquer lugar que eu esteja

com esse copo de cerveja

 diante o mar
o que pensar
a não ser os pés na areia
e quem sabe uma seria
me leve a mergulhar


Jura secreta 85

enquanto você espera
Jesus voltar
- *com a boca escancarada
cheia de dentes
esperando a morte chegar

os políticos te enrabam
até o caroço
dos pés do cu  ao pescoço

sem ninguém pra te salvar!
* Raul Seixas - em Ouro de Tolo



Jura secreta 86

os olhos dessa felina
me arranham como unhas
como faca de dois gumes
que todo poema tem
São Sebastião do Sacramento
profana hóstia no altar
sagrada carne de minas
que comi para pecar




quarta-feira, 30 de agosto de 2017

jura secreta 83


Jura secreta 83

mordi a carne da maçã
na língua o gosto era o batom
que ela usa nos mamilos
a carne da fruta é vermelha
branca é a minha Vênus de Milos

grafita pela pele pelos poros
como plumas
nas linhas dos lençóis de linho
transpira o amor em desalinho
rasgando toda blusa de lã
da minha musa de Vênus
quando transborda nossa cama de manhã

Artur Gomes


segunda-feira, 28 de agosto de 2017

jura secreta 79


Jura secreta 79
para Ellen Sousa

um ser de luz
música feminina
invade a minha íris retina
no dia 11 de agosto
despencava a tarde
por entre folhas  e fios
de eletricidade
hoje me chega na noite
e me traz um céu
bordado de ternura
e eternidade


quinta-feira, 24 de agosto de 2017

jura secreta 1


Jura secreta 1

a língua escava entre os dentes
a palavra nova
fulinaimânica/sagarínica
algumas vezes muito prosa
outras vezes muito cínica

tudo o que quero conhecer:
a pele do teu nome
a segunda pele o sobrenome
no  que posso no que quero

a pele em flor a flor da pele
a palavra dandi em corpo nua
a língua em fogo a  língua crua
a língua nova a língua lua

fulinaímica/sagaranagem
palavra texto palavra/imagem
quando no céu da tua boca
a língua viva se transmuta na viagem

Artur Gomes

sábado, 12 de agosto de 2017

fulinaímicas



Caranguejo

ela bêbada no meu sangue
na porta do desejo
e eu ainda nem bebi

Artur Gomes




Adélia

ela chora pelos animais
 passeia seus silêncios
no meu SerTão de dentro
 inventra em mim
 o que não cabe em si no cais
 deságua sua língua de água e sal
no litoral dos meus sentidos
enquanto engendra ao vento
o que ainda não tem significado
e colhe em minhas mão
palavras que ainda não dissemos

Artur Gomes Gumes





a língua na linguagem

eu não tenho a língua nas coxas
porque não quero
tenho pavor de língua mole
gosto da língua dura
na boca é mais seguro
navalha pra cortar a carnadura
na linguagem das carnes
na voragem dos corpos
que se entregam ao mar
das revoluções atemporais
minha língua/faca corta o fruto
sangra a pele da tarde que se despede
para nunca mais

Cristina Bezerra 



Iracema

uma hora é clara
em outra hora é gema
Iracema
vive em sua casca
ainda como ostra
não deixou o ovo

Federico Baudelaire

terça-feira, 1 de agosto de 2017

tempo tempo tempo


tempo tempo tempo

o tempo não tem pressa
são dois ponteiros de um relógio
que morde nervos e músculos
diante dos olhos Dela
:
Ela o tempo que não passa

obs.: na foto: Marcela Sanse - feliz por re-encontrá-la uns 10 anos depois que a conheci ainda criança em Bento Gonçalves-RS




quero voar
Ícaro sem planos de vôo
e nada de panos




seguindo os passos de Anchieta
:
Guarapari Antropofágica

come. come meus pés descalços
e os vestígios de Anchieta
por onde estiver ainda

come. come todos os passos
e vomita os restos na Ampulheta
porque o tempo tarda mas não finda

Artur Gomes
foto.poesia



quinta-feira, 13 de julho de 2017

Guarapari aí vamos nós


Guarapari aí vamos nós

fosse tudo ainda
secreto segredo sagrado
jura de amor que eu não dissesse
pras minas do Espírito Santo
nesse meu estado



Jura secreta

neste chão de folhas e frutos
cato poesia em qualquer canto
a vida este sistema bruto
como a carne do teu corpo santo



não fosse essa jura secreta
mesmo se fosse e eu não falasse
com esse punhal de prata
o sal sob o teu vestido
 sangue no fluxo sagrado
sem nenhum segredo

esse relógio apontado pra lua
não fosse essa jura secreta
mesmo se fosse  eu não dissesse
essa ostra no mar das suas pernas
como um conto do Marquês de Sade
no silêncio logo depois do susto



Artur Gomes