sábado, 1 de fevereiro de 2020

zeus me livre



Zeus me livre

Zeus me livre
dessa trágica comédia brasiliense
prefiro o nonsense - a patafísica
o teatro do absurdo de Ionesco, Arrabal
Fando e Liz, A Cantora Careca
As Cadeiras, A lição, Rinoceronte

As Mortes do Tanussi
me removem cicatrizes
como dias mais felizes¿
se Belo Horizonte chora
a morte de 56 mineiros
e o Espírito Santo também chora
os corpos soterrados pela lama
essa tragédia social

os 270 mortos em Brumadinho
mostram que no brazyl
há muita lama no meio do caminho

Artur Gomes
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sábado, 4 de janeiro de 2020

poéticas



Poética 57

toda vez que escrevo
é nela que penso
tranquilo ou tenso
a palavra cria direção
para o sol ou vento
para o mar ou terra
ou mesmo ao infinito
silêncio ou grito
palavra liberdade
enxada foice faca facão
poema fogo
nesse corpo brasa
águia nas montanhas
admirando o chão

Artur Fulinaíma


teatro do absurdo
eu faço
com minha língua foice
com os meus dedos facas
com minha carne barro
e
tiro um sarro
da tua cara de vaca
desse seu corpo de morte
desse seus olhos de marte
dessa sua realidade
faço o meu surrealismo
na construção da minha Arte

Artur Fulinaíma



travessura

hoje não estou
pra qualquer trampo
trepo nas tripas do vento
nem que seja pensamento
vou pra Curitiba
encontrar o Hélio Letes
a minha cara metade
minha face mais a vera
metade da minha cara
poesia é o  salto de uma vara
ou o auto de uma fera

Federico Baudelaire



Júlia

Júlia poderia ter sido
a face completa do f
a outra face do s
se soubesse o que significa
ler um livro de Herman Hesse

Federico Baudelaire




viagem
enquanto puder
pego esse trem de ferro
sem choro sem berro
e vou
onde as asas do vento
me levar
pernambuco ceará
será rio sampa mar
Xangô Yemanjá
pedra - águas de mel e sal
meu bem meu mal
levo pra me entregar no carnaval

Artur Gomes


quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

poética 58



poética 58

se a negritude ameríndia
do meu canto
lhe causa desconforto
insana criatura
não se assuste com essa química
isso se chama Sagaranagens Fulinaímicas
meu girassol de metáforas
meu caldeirão de misturas

Artur Gomes
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domingo, 1 de dezembro de 2019

poesia proibida



Poesia Proibida

é um curta de Jiddu Saldanha em parceria com Artur Gomes, para o seu projeto Cinema Possível. A parceria dos dois começou em 2007, quando  Artur Gomes voltou de Brasília com uma pequena câmera cannon de 5 mega pixels comprada numa feira na periferia do distrito federal. A partir daí começaram os delírios audiovisuais dessa parceria inusitada.

Poesia Proibida começou a ser filmado em Cabo Frio, naquele mesmo ano de 2007, e as primeiras aventuras  da dupla: mímico/poeta foram podemos assim dizer hilárias, que já assistiu os delírios em TROPICALIRISMO  sabe do que estou falando. Poesia Proibida, tem cenas filmadas em Cabo Frio, Lapa, e Parque das Ruínas, num domingo de Rock e Poesia, com diversas participações inusitadas de Fil Buc (filho de Artur Gomes), Hilda Cequeira, May Pasquetti, Marisa Vieira, Margareth Bravo e muitas outras.

O título : Poesia Proibida, com certeza vem do poema Carne Proibida, do livro Suor & Cio de 1985, um dos poemas de Artur Gomes, que Jiddu Saldanha gosta de falar. O Proibido na obra poética de Artur Gomes, vem desde a décadas de 70/80 quando ainda linotipista na então Escola Técnica Federal de Campos, teve diversas de suas peças proibidas de ser encenadas com os estudantes  da ETFC que ele cooptava para o início da sua trajetória com  Teatro.

Carne Proibida

o preço atual
proíbes que me comas
mas pra ti estou de graça
pra ti não tenho preço
sou eu quem me ofereço
a ti: músculo & osso
leva-me à boca
e completa do teu almoço

do livro Suor & Cio
MVPB Edições 1985

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segunda-feira, 18 de novembro de 2019

almas lavadas de lama



Mariana Brumadinho

um mar de lama
mata um rio
que era doce
Mariana Brumadinho
tem muita lama
no meu do caminho

holocausto

quem se alimenta
dessa dor
desse horror
desse holocausto

desse país em ruínas
da exploração dessas minas
defloração desse cabaço

quem avaliza o des(governo)
simboliza esse fracasso?


Artur Gomes
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quinta-feira, 14 de novembro de 2019

pátria que pariu



pátria que pariu
para Rubens Jardim

os dentes das pedras
mordem a língua
dos meus dias obscuros

esse país teve passado
         não tem presente
         nem tem futuro

peixe é bicho inteligente
foge do óleo criminoso
               derramado
nos mares do nordeste
- eita peixe caba da peste!

nem sei em que planeta
estamos  hoje
nessa infernal atmosfera

capitão boçal pede desculpas
pelas cagadas dos 3 filhos

Aí 5 é apenas os centímetros
que um deles carrega
pendurado entre as pernas

esperma já virou porra
nesta pátria que pariu
a besta fera



y love song baby


em imburi o vento sopra
gosma de tapioca
manga mandioca abacaxi
são francisco do itabapoana
não me engana
minha língua não precisa
provar lamber comer chupar
para saber  o gosto
do amargo fel dessa estrada
que nela se desova
toda cruel veracidade
com toda essa podridão
que se espalhou pela cidade





Artur Gomes Fulinaíma
do livro inédito - FULINAIMAGEM
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domingo, 3 de novembro de 2019

XXI FestCampos de Poesia Falada



XXI FestCampos de Poesia Falada
Dias 7, 8 e 9 novembro - 19h
Local: Auditório do Liceu de Humanidades de Campos

Nos intervalos das apresentações das poesias concorrentes, estaremos numa Santa Balbúrdia, homenageando a poesia de Kapi (Antônio Roberto de Góis Cavalcanti), Antônio Roberto Fernandes e Luica Miners, com Adriana Medeiros, Cristina Cruz, e Ronaldo Jr. Além de abrir o microfone para todos os poetas e público presente interessados em fazer suas intervenções poéticas.

Com muito prazer anuncio a vinda de São Paulo do poeta e meu queridíssimo amigo César Augusto de Carvalho, para leituras e lançamento do seu recém lançado livro  Curto Circuito.
Criado em 1999 pelo poeta, ator e produtor cultural Artur Gomes,  o FestCampos de Poesia Falada é uma realização da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima e este ano depois de muita luta volta a ser realizado  no seu formato original.


PROFISSÃO DE FÉ

para Antônio Roberto de Góis Cavalcanti (Kapi)

Perdeu-se a rara e rica rima
sem cópia, raspa ou rascunho,
na casa ampla de minha cabeça vazia.

Onde ficou a palavra dita estalo,
fechou-se um mundo de silenciações
perdida na frase que me salvaria.

Sem voz nem voto nem ponto nem vírgula,
a poética se instala plena de perplexidade,
tentando (re)parir as ideias ou trazê-las à luz

como um filme gravado na memória,
(re)organiza estrofes para restaurar a história
que (re)significa o texto por vontade de ser

vai costurando vácuos e versos
em frágeis leituras e poemas imersos
nas entrelinhas da obra quase acabada.

No que não se exclui de tal esforço o preço
de vida e morte em cruel e fatal (re)começo,
no que for de cruz ou de inspirado instante,

mas dor e processo inconteste
posto que inconstante.

Amélia Alves
do livro No Reverso do Viés
Ibis Libris - 2015



Artur Gomes Fulinaíma
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