sexta-feira, 6 de maio de 2016

poeminhas didáticos


poeminha didático 2

meu santo dai-me
livrai-me desse elefante
paquiderme gigante
vagaroso que  nem preguiça

que depois de mais 5 séculos
continua no mesmo lugar
tomando a terra dos índios
como os portugueses fizeram
quando acabaram de chegar

o que antes capitanias
hoje imensos latifúndios
pra muito além do além mar
e ai do povo miserável 
que um dia ali pisar
seus donos e seus jagunços
não exitam em trucidar

Federico Baudelaire 





outro Cabral em Floresta do Navio

onde o poeta vislumbra Constantinopla
em cenários de ópera neo-barroca
antevejo abismos da finitude no mais
sem fundos de nós, secos mortais.

É a sementeira de sombras sem retóricas
nem vaga ou vadia poeticidade.
É o chão sem as flores do estilo.
É o grão que pode re-nascer das cinzas.

Se as elites cruéis deste país,
aqui alhures se autoperpetuam,
não é pela melancolia barrococó
mas pela aridez da ganância.

Esdrúxula é a estupidez ds poderosos.
Nenhum gesto operístico pode contê-los.
Ainda o povo que sabe da fome e do não
Um dia fará desse cemitério outra nação.

Atentados Poéticos
Jomard Muniz de Brito
Recife, 28 de outubro de 2001




poeminha didático 3

meu santo dai-me
livrai-me dessa justiça
que liberta asssasina
monstro - com nome de filha
libra-me dessa armadilha
da capa dessa mortalha
prefiro morrer na trilha
do que viver nessa bandalha

Federika Lispéctor


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