terça-feira, 7 de junho de 2016

na flor da pele



na flor da  pele
a mocidade independente

na flor da pele
a palavra explode na tarde
mordendo a carne da fruta
tudo arde debaixo nuvens de chumbo
nesse outono de junho

com os dentes em punho
ergo uma taça de vinho
para celebrar nossos anos vividos
entre currais e estrebarias
nos mares do espírito santo

nunca amamos num convento
nem de gonçalves muito menos de bento
algaravias vieram e se foram
como os nossos dias

saltamos o arame farpado
do cercado que fizeram
nos nossos campos minados

ouro preto 1990
a pétala flor da mocidade
e o grito de independência

dentro das tuas coxas
o poeta profana o sagrado
desfolha a flor da inocência
num tenso beijo partido
secreto infame safado

Artur Gomes  Gumes




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