domingo, 30 de outubro de 2016

poesia proibida



Jura secreta 54

moro no teu mato dentro
não gosto de estar por fora
tudo que me pintar eu invento
como um beijo no teu corpo agora

desejo-te pelo menos enquanto resta
partícula mínima micro solar floresta 
sendo animal da Mata Atlântica
quântico amor ou metafísica
tudo que em mim não há respostas

metáfora D´alkimim fugaz Brazílica
beijo-te a carne que te cobre os ossos
pele por pele sobre as tuas costas

os  bichos amam em comunhão na mata
como se fosse aquela hora exata
em que despes de mim o ser humano
e do corpo rasgamos todo pano
e como um deus pagão pensamos sexo




Jura secreta 18

te beijo vestida de nua
somente a lua te espelha
nesta lagoa vermelha Porto Alegre
cais do porto barcos navios no teu corpo
os peixes brincam no teu cio
nus - teus seios - minhas mãos
a rendas finas que vestias 
sobre o teu corpo ficção

todos os laços dos tecidos
aquela cor do teu vestido
a pura pele agora é roupa
o sabor da rua língua
o batom da tua boca
tudo antes só promessa
agora hóstia entre meus dentes

e para espanto dos decentes
te levo ao ato consagrado
se te despir for só pecado
é só pecar que me interessa

Artur Gomes




sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Jura secreta 15




jura secreta 15

fosse esta menina uma cidade
e eu a quisesse feminina
amora no quintal da tua casa
metáfora de fogo
em tudo mais que me atravessa
carne uva corpo asas

percebi que amor é pêssego
na pele pétala dos parreirais
pelos vinhedos
teu nome uma palavra
que escrevo entre meus dedos
como signo sagrado e nem quero saber
se ao beber teu vinho flor
é só amor ou é pecado

Artur Gomes

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

poÉtikas


jura secreta 3

fosse essa jura  sagrada
como uma boda de sangue
às 5 horas da tarde

a cara triste da morte
como uma faca de dois gumes
naquela nova granada

e Federico Garcia Lorca
naquela  noite de Espanha
não escrevesse mais nada

 



arrisco
meus dedos e dados
nos lances mais atrevidos
nas portas do inesperado
dos nossos sextos sentidos
por tudo que é proibido
e ainda não concretizado


os lápis traçam suas trilhas
trançam telas
sedução para os olhos
de quem chega
transitam
entre a pulsação das cores
e o traçado que seu corpo agita
para que o olhar
não saia
das suas mãos de tintas


Artur Gomes
foto.poesia
FULINAIMAGEM

http://artur-gomes.tumblr.com 




quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Poéticas do Amor



Poéticas do Amor

fevereiro pensando Flávia
março gritando Amanda
acelerador fundo no posso
a alma exposta na venda
poesia na flor do osso
como uma colcha de renda



Lavar a Língua

a chuva vem
lava corpo
lava língua
lava alma
se tanta água me acalma
meu rio na direção
da síntese da metafísica da sintática
poema para menina
poema  não é gramática

fosse a menina eu quero
tecido a seda nos dedos
segredos no vale vinhedos
teu corpo luz quem me dera
um arco íris nas mãos

fosse criatura que eu quero
secreta jura sagrada
em meu instante de prece
pelos caminhos de pedras
com uvas por toda pele
vinhos pelos teus poros
beber-te em noites quisera
delírios do coração



Jura Não Secreta


 quero dizer que ainda arde
tua manhã na minha tarde
a tua noite no meu dia
tudo em nós que já foi feito
com prazer ainda faria

quero dizer que ainda é cedo
ainda tenho um samba/enredo
tudo em nós é carnaval
é só vestir a fantasia

quero ser teu mestre/sala
e você porta/bandeira
quando chegar na quarta-feira
a gente inventa outra fulia

Artur  Gomes
foto.poesia