quinta-feira, 13 de julho de 2017

Guarapari aí vamos nós


Guarapari aí vamos nós

fosse tudo ainda
secreto segredo sagrado
jura de amor que eu não dissesse
pras minas do Espírito Santo
nesse meu estado



Jura secreta

neste chão de folhas e frutos
cato poesia em qualquer canto
a vida este sistema bruto
como a carne do teu corpo santo



não fosse essa jura secreta
mesmo se fosse e eu não falasse
com esse punhal de prata
o sal sob o teu vestido
 sangue no fluxo sagrado
sem nenhum segredo

esse relógio apontado pra lua
não fosse essa jura secreta
mesmo se fosse  eu não dissesse
essa ostra no mar das suas pernas
como um conto do Marquês de Sade
no silêncio logo depois do susto



Artur Gomes




terça-feira, 4 de julho de 2017

memorial dos ossos


memorial dos ossos

espora essa palavra amolada
dessas que cortam a carne
no primeiro toque
espora em meu sentido rock
não um mero truque
no pulsar da língua
que a tua pele lambe
quando saliva aflora
espora em meu cavalo branco
o simbolismo aceso
todo dia é dia de São Jorge
Jorge Luis Borges
num plural latino
escavar a terra em busca da palavra
quando nervo implora
espora temporal dos músculos
memorial dos ossos
nesse tempo bruto
tudo quanto posso

Artur Gomes



segunda-feira, 12 de junho de 2017

jura secreta 4


jura secreta 4

a menina dos meus olhos
com com os nervos a flor da pele
brinca de bem-me-quer
ela ainda pensa que é menina
mas já é quase uma mulher

Artur Gomes


domingo, 14 de maio de 2017

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Sarau Manguinhos Vive - A Cor da Pele


Sarau Manguinhos Vive
A Cor da Pele - Abolição Escravatura
Dia 28 de Maio - 18h
Genilson  Soares - pintando o 7 no coreto

Jura secreta 139

Cezane não pintava flores
montado em seu cavalo alado
despejava cores no corpo
da mulher amada

com os pincéis encravados
entre as coxas
transformou hollandas em quintais de vento

re-inventou o tempo na hora de pintar



Suor & Cio

não sou tigresa em tua cama
nem caviar em tua mesa
não sou mulher de fama
muito embora sempre tesa

não vim da boca do lixo
saí da pele  o do  ovo
meu coração de galinha
virou orgasmo do povo

África soul raíz & raça
orgia pagã na pele do poema
couro em chagas que me sangra
alma satã na carne de Ipanema

o negro na pele é só pirraça
de branco na cara do sistema
no fundo é amor que dou de graça
dou mais do que moça no cinema

Artur Gomes
do livro: Suor & Cio - 1985 - MVPB Edições
www.fulinaimicas2.blogpspot.com 




sábado, 22 de abril de 2017

aline



aline

ainda que o tempo
não me traga o trago
daquele sacramento
em que estivemos juntos
quase dentro da fotografia
entrando no  meu olho
o movimento dos teus músculos
meus músculos nos teus lábios
algaravia exposta em nossa carne
como se uma faca já sangrasse o tempo
num futuro incerto para nunca mais

Artur Gomes
foto.poesia






sexta-feira, 14 de abril de 2017

Travessia


Travessia

de Almada vou atravessar o Tejo
barco à vela Portugal afora
em Lisboa vou compor um fado
e cantar no Porto feito blues rasgado
de amor pela senhora que me espera em paz

e todo vinho que eu beber agora
será como beijo que guardei inteiro
feito marinheiro que retorna ao cais

Artur Gomes


foto: Dudu Linhares 

quarta-feira, 29 de março de 2017

jura secreta 29



jura secreta 29

a luz branca de outono
deságua em mim
como mar de outrora
águas de outras eras
em ondas de sal
pra me benzer  aurora boreal
nos olhos de quem me vê

Artur Gomes




quinta-feira, 9 de março de 2017

poétika


poétika

um filhote de pica-pau
fazendo a festa
no pé de cajá do meu quintal

Artur Gomes
foto.poesia
FULINAÍMA MultiProjetos
www.fulinaimicas.blogspot.com 



segunda-feira, 6 de março de 2017

jura mais que secreta



jura mais que secreta

tenho um segredo sagrado
bem mais que ouro guardado
jura bem mais que secreta
o poema em linha curva
sempre corta a linha reta
uma gisele em flor de lótus
que mesmo fosse abstrata
é coisa do amor que se concreta

na quarta ela estava na feira
em espelhos de artesanato
e a  minha língua solteira
cantava um vapor barato
lembrando da vez primeira
que  meu olho viu teu retrato

teu corpo não era papel
era de osso e carne era de carne e osso
e naquela hora do almoço
em meu corpo foi tanto alvoroço
que deixei a comida no prat0

Federico Baudelaire

http://federicobaudelaire.blogspot.com.br/2017/03/jura-mais-que-secreta.html

domingo, 5 de março de 2017

poéticas fulinaímicas



Macunaíma

para se ter preguiça
quem atiça
é um coração macunaímico
um grande ser
fulinaímico
e lance os dados
quem souber
da piração na malandragem
pra se vestir com a tatuagem
das flores  do mal de Baudelaire

Artur Gomes Gumes
espírito santo

Guarapari aqui estou 
aqui me encontro
em estado de espírito santo
nesse mar azul e branco
como a s cores da Portela
o rio já passou em minha vida
nas marés de um serafim
mar é o que fica
como o deus que me habita
sem princípio meio ou fim

Federika Bezerra
foto: Artur Gomes


lavra da pa/lavra

como tecer a teia
que aranha tece
se a pergunta não tem resposta
e o poema nasce
antes de ter sido
linha ou lã
e o tecido se faz
mesmo sem palavra
quando a tempestade traça
trilhos de luz
nos raios desta manhã

Artur Gomes



Guarapari

entre o mar
o azul
as pedras raras
Guarapari
dentro de ti
ainda moro minha cara

Artur Gomes