sábado, 12 de agosto de 2017

fulinaímicas



Caranguejo

ela bêbada no meu sangue
na porta do desejo
e eu ainda nem bebi

Artur Gomes




Adélia

ela chora pelos animais
 passeia seus silêncios
no meu SerTão de dentro
 inventra em mim
 o que não cabe em si no cais
 deságua sua língua de água e sal
no litoral dos meus sentidos
enquanto engendra ao vento
o que ainda não tem significado
e colhe em minhas mão
palavras que ainda não dissemos

Artur Gomes Gumes





a língua na linguagem

eu não tenho a língua nas coxas
porque não quero
tenho pavor de língua mole
gosto da língua dura
na boca é mais seguro
navalha pra cortar a carnadura
na linguagem das carnes
na voragem dos corpos
que se entregam ao mar
das revoluções atemporais
minha língua/faca corta o fruto
sangra a pele da tarde que se despede
para nunca mais

Cristina Bezerra 



Iracema

uma hora é clara
em outra hora é gema
Iracema
vive em sua casca
ainda como ostra
não deixou o ovo

Federico Baudelaire

terça-feira, 1 de agosto de 2017

tempo tempo tempo


tempo tempo tempo

o tempo não tem pressa
são dois ponteiros de um relógio
que morde nervos e músculos
diante dos olhos Dela
:
Ela o tempo que não passa

obs.: na foto: Marcela Sanse - feliz por re-encontrá-la uns 10 anos depois que a conheci ainda criança em Bento Gonçalves-RS




quero voar
Ícaro sem planos de vôo
e nada de panos




seguindo os passos de Anchieta
:
Guarapari Antropofágica

come. come meus pés descalços
e os vestígios de Anchieta
por onde estiver ainda

come. come todos os passos
e vomita os restos na Ampulheta
porque o tempo tarda mas não finda

Artur Gomes
foto.poesia