sábado, 30 de dezembro de 2017

delírica


dentro da carne que não sai

a carne de maçã: teu corpo devorei a cada dentada metáfora  à flor da pele toda nua me recebeu na cama que era o chão da sala há 6 anos desejava teu corpo como quem deseja um prato de comida quando a fome é tonta  nossa meta é física e o amor é quântico sem lucidez alguma até que passe a fome e o amor acabe

Artur Gomes



Eu sou Umbanda

veja bem meu bem o beijo que não me deste
era gelado e derreteu teu evangelho um sacrilégio
de um mitológico Prometeu não gosto da palavra doce prefiro salamargo pra desintoxicar o fígado o sabor da minha língua é azeite sal pimenta se não agüenta sarta de banda eu sou Umbanda vou pro terreiro de Oxossi sacramentar o meu amor bater macumba na quinbanda e saravá Xangô

Federika Lispector



deLírica

sem meias
palavras
ando descalço
pra pisar a lavra
da palavra chão

Artur Gomes

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